INTRODUÇÃO

No âmbito da unidade curricular de elementos afectos ao quadro técnico da pintpor, realizou-se um relatório sobre o tema “A humidade nos edifícios”, mais concretamente “Que tipos de intervenções são necessárias?” para reabilitar um edifício degradado.

A humidade é um agente patológico muito influente no que toca à degradação dos edifícios. Pode aparecer sob diferentes formas e agir sob diferentes mecanismos, podendo ter consequências negativas quer na imagem quer na própria estrutura de um edifício. Assim, a humidade torna-se um ponto de interesse da comunidade científica, mais concretamente, da engenharia civil, na vertente de materiais e processos de construção.

É então importante estudar as origens e formas da manifestação da humidade, numa primeira fase, para então se poderem viabilizar formas de prevenção e possíveis intervenções a edifícios degradados, numa fase posterior.

É na segunda fase que vai incidir este relatório, onde vai ser mais detalhadamente explorado o tema da intervenção nos edifícios.

Consoante o caso, vai ser aplicado um diferente nível de intervenção, bem como os cuidados a ter durante essa mesma intervenção, de modo a preservar a saúde do edifício em conta.

Para além disto, foi ainda proposta a realização de um caso de estudo, ou seja, vai ser analisado um caso de um edifício em paredes de betão, no qual serão estudadas as causas da humidade, assim como as intervenções que deveriam ser executadas para a reabilitação do edifício.

OBJETIVOS

O objectivo deste trabalho é o estudo dos diferentes tipos de humidade e das patologias que lhe estão associadas.

Com este relatório pretende-se apresentar os diferentes tipos de humidade, assim como as causas que levaram ao seu aparecimento, as patologias que lhes estão associadas e ainda possíveis medidas de prevenção e de intervenção.

Os estragos causados pela humidade nos edifícios são vários e alguns podem ser de grandes dimensões, tornando necessário estabelecer medidas de intervenção, sendo este o grande objectivo e aquele em que nos iremos focar ao longo do nosso relatório.

Como é mais motivador ter uma situação concreta na qual nos podemos debruçar, iremos apresentar casos específicos de patologias causadas pela humidade nos edifícios, vistos ao vivo por nós mesmos, e iremos fazer um estudo sobre as suas possíveis causas e apresentar possíveis medidas de intervenção nesses edifícios.

HUMIDADE NOS EDIFÍCIOS

A humidade nos edifícios é um problema já muito antigo e que actualmente se manifesta como uma das principais causas, directas ou indirectas, das anomalias construtivas nos edifícios e que em certos casos, como em edifícios antigos, pode colocar em risco a segurança das estruturas e colocar condições precárias de habitabilidade.

A presença de humidade leva à deterioração dos materiais de construção e como tal torna-se necessário tomar medidas para contrariar o seu aparecimento ou, em casos já avançados, para a eliminar.

A humidade nos edifícios pode estar associada a diversos fenómenos como fenómenos de condensação, capilaridade, infiltrações, entre outros, sendo caracterizada, normalmente, através de manchas, bolores, gotejamento de água, corrosão, eflorescência e pelo aparecimento de fendas ou micro fissuras.

HUMIDADE DE CONSTRUÇÃO

Durante o processo de construção de edifícios, a grande maioria dos materiais de construção necessitam de água quer para a sua confecção, como é o caso da argamassa e do betão, quer para a sua deposição na própria construção, como acontece, por exemplo, com os tijolos. Mais a mais, obras em fase de construção estão também sujeitas às ações climatéricas que contribuem para aumentar essa quantidade de água, em função da porosidade dos materiais e do vento que é um dos principais impulsionadores da penetração da água da chuva nos materiais.

Estas quantidades acabam, muitas vezes, por ser desconsideradas aquando do planeamento e realização das construções. Um edifício pode, dessa forma, e ainda antes de ser utilizado, ter água em excesso. Embora parte dessa água evapore rapidamente, o mesmo não acontece com a maioria, cuja secagem está dividida em três fases para materiais porosos como o betão e os tijolos. Numa primeira fase de secagem que é relativamente rápida, dá-se a evaporação dos materiais superficiais.

A segunda fase de secagem consiste na evaporação da água que existe nos poros de maiores dimensões dos materiais de construção. Esta fase é mais demorada devido ao facto de que a água existente no interior dos materiais necessitar de atravessar os poros dos materiais até à superfície, quer sobre a forma líquida ou gasosa. Finalmente dá-se a terceira fase de evaporação, fase esta que é extremamente lenta, podendo mesmo demorar dezenas de anos, e que consiste na evaporação da água contida nos poros de menores dimensões.

HUMIDADE DEVIDA A FENÓMENOS DE HIGROSCOPICIDADE

A grande maioria dos materiais de construção que são utilizados nos dias de hoje contém na sua constituição sais solúveis em água, o que também se verifica nos terrenos onde as casas são construídas, especialmente em locais ricos em matéria orgânica. Esta presença de sais, embora possa não ser preocupante na maioria das situações, pode ter consequências mais gravosas caso as paredes sejam sujeitas a humidade.

Alguns dos sais presentes podem propriedades higroscópicas, ou seja têm a capacidade de absorver a humidade presente no ar caso os níveis de humidade relativa atinjam valores na ordem dos 70%, voltando novamente a cristalizar quando os níveis decrescem.

Convém alertar para o facto de que as patologias resultantes destes fenómenos não são devidas ao alto índice de humidade num instante mas sim à variação normal que ocorre, com graus de intensidade diferentes, consoante os climas, ocorrendo ciclos de dissolução e de cristalização sucessivos.

Os sais mais propícios à ocorrência destes fenómenos são os sulfatos os carbonatos os cloretos os nitrito e os nitratos. Estas manifestações são susceptíveis de ocorrerem a qualquer altura do ano, e implicam, na maioria das vezes anomalias pré-existentes que apesar de já terem parado, criaram as condições ideais para a realização das mesmas.

HUMIDADE DE CONDENSAÇÃO

O ar tem na sua constituição vapor de água e uma grande variedade de outros gases, estando entre os mais conhecidos o azoto e o oxigénio.

A quantidade máxima de vapor de água que o ar pode conter é designado por limite de saturação, e varia em razão directa com a temperatura do ar nessa zona, ou seja, quanto mais alta for a temperatura do meio maior será a quantidade de vapor de água que este pode conter.

Na maioria dos edifícios a temperatura ambiente é inferior à temperatura interior, algo que é mais visível no Inverno. Assim a produção intensa de vapor em sítios como a casa de banho ou a cozinha leva a que seja rapidamente atingido o limite de saturação, originando a condensação superficial nos constituintes das estruturas.

É assim necessário efectuar uma correta ventilação dos espaços problemáticos de modo a retirar o excesso de vapor de água existente, que deve ser prioritária em edifícios onde não existam dispositivos de ventilação automáticos.

Esta ventilação é muitas vezes mal compreendida, como por exemplo no Inverno, que é uma altura em que esta é mais necessária, pois o limite de saturação de vapor de água é geralmente inferior às outras estações do ano. É motivo de preocupação para estas pessoas o facto de se permitir que o ar frio e húmido do exterior entre nos edifícios, ocorrendo uma troca com o ar que está no interior.

Este receio é infundado, visto que o ar frio do exterior é aquecido quando entra em contacto com o ar interior, levando a uma diminuição da humidade relativa. Assim, a ocorrência de condensações superficiais está dependente dos seguintes factores: ventilação dos locais, isolamento térmico das paredes, temperatura ambiente interior e as condições de ocupação, nomeadamente a quantidade de produção de vapor de água.

HUMIDADE DE PRECIPITAÇÃO

A chuva, sem a acção de factores externos não é uma ameaça séria para as paredes dos edifícios. No entanto, caso exista vento a precipitação pode ser uma das principais fontes de humidade, sendo que as anomalias derivadas deste tipo de humidade manifestam-se a seguir a período de precipitação e vento intensos.

A penetração da água da chuva nas paredes é um fenómeno normal que não apresenta problemas caso as estruturas dos edifícios e os próprios materiais tenham sido concebidos de forma a conseguirem resistir a estes fenómenos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

É possível evitar que a água se infiltre nos elementos envolventes das paredes e evitar, deste modo a humidade, protegendo de forma eficiente o parâmetro exterior das paredes.

Algumas medidas de prevenção utilizadas na prevenção da humidade de infiltração, ou precipitação, passam pela utilização de paredes duplas e da aplicação de materiais com componentes betuminosas que levam à impermeabilização.

Uma pormenorização cuidada dos pontos especiais remates superiores, assim como ligações às coberturas, ligações das alvenarias às caixilharias, portas, juntas de dilatação são várias medidas que podem ajudar a prevenir esta patologia. Para além disso, a escolha de materiais adequados, bem como a boa execução do trabalho no projecto são favores preventivos da penetração da água das chuvas no interior das construções.

MEDIDAS DE INTERVENÇÃO

Com vista a solucionar as anomalias causadas pela humidade de infiltração devem-se aplicar novos revestimentos de paredes, impermeáveis à água da chuva e permeáveis ao vapor de água.

A aplicação de um hidrófugo de superfície, produto incolor que é impermeável à água e permeável ao vapor de água e que contém propriedades de hidro repelência, nos parâmetros exteriores, assim como a aplicação de um revestimento exterior curativo com bases em ligantes sintéticos são medidas que ajudam a eliminar a água que se infiltrou na parede.

Pode-se, ainda, recorrer à aplicação de revestimentos exteriores de elementos descontínuos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

Para prevenir que ocorra condensação de água nos edifícios e que surjam manchas associadas à humidade causada por essa condensação devem ser tomadas certas precauções, como a melhoria do isolamento térmico das paredes, aumentando desta forma a temperatura superficial do interior das paredes.

Pode-se recorrer, também, ao acréscimo da temperatura ambiente, o que visa diminuir a humidade relativa do ar ambiente.

Uma melhor ventilação do local é também algo benéfico para prevenir a humidade de condensação, pois leva a uma diminuição ou até mesmo à remoção do vapor de água gerado no ambiente e seca as superfícies molhadas devido à condensação do vapor de água não removido para o exterior.

MEDIDAS DE INTERVENÇÃO

Os processos utilizados na correcção e extinção das anomalias causadas pela humidade de condensação são vários.

A execução de orifícios de ventilação nas fachadas, devidamente protegidas no interior de modo a evitarem-se as correntes de ar, assim como a montagem de janelas especiais providas de aberturas de ventilação e a montagem de sistemas de ventilação mecânica são exemplos de medidas que, através do reforço da ventilação, reduzem a humidade de condensação.

O aumento do isolamento térmico das paredes, por aplicação no interior de um revestimento de agregados leves e de placas isolantes, bem como a aplicação de revestimentos porosos que absorvem a humidade quando o ambiente está saturado, perdendo-a posteriormente quando o ambiente se encontra mais seco e a aplicação de revestimentos impermeáveis, são intervenções que, tal como a aplicação de revestimentos impermeáveis, conduzem á diminuição das anomalias devidas à condensação da água nas paredes dos edifícios.

Para além disso, é também benéfico o uso de desumidificadores, pois estes fazem com que o ar contacte com materiais que absorvem parte da sua humidade.

A substituição dos elementos afectados por outros materiais impermeáveis ou de permeabilidade muito reduzida é também uma medida de intervenção a ser tomada quando se verifique fenómenos causados por este tipo de humidade.

Pode-se ainda recorrer à ocultação das anomalias, executando uma nova parede pelo interior, estando esta afastada alguns centímetros da parede existente ou através da aplicação de revestimentos especiais.

O controlo da humidade relativa do ar, mantendo-a entre valores interiores ou superiores a 65 e 75%, respectivamente, é uma outra forma de reduzir ou eliminar a humidade de higroscopicidade, pois desta forma os sais estão sempre cristalizados ou dissolvidos.

CONCLUSÃO

Com este trabalho realizado pelos técnicos da pintpor, conclui-se que existem diversos tipos de humidade, sendo cada um causado por diferentes motivos.

Na maioria dos casos, a humidade está associada a fenómenos de condensação, causados pela falta de ventilação e pelas condições de habitação.

Para além disso o uso de materiais que absorvem grandes quantidades de água nas construções é também outro grande motivo para o aparecimento da humidade.

Para não serem necessárias grandes intervenções a nível da humidade nos edifícios é aconselhável que se tomem medidas de prevenção e que se utilizem os materiais adequados à construção, evitando-se assim o aparecimento de patologias associadas à humidade.

A pintpor após a realização de alguns estudos de casos de edifícios que apresentam humidade, conclui-se que existem na cidade do Porto alguns que necessitam de reparações urgentes com vista a resolver determinadas patologias. Essas possíveis intervenções irão contribuir para melhores condições de habitabilidade dos edifícios e resolver parte dos problemas de humidade surgidos.

No entanto, as medidas de intervenção a adoptar para eliminar a existência de humidade, apenas deverão ser estabelecidas após uma análise das condições do edifício em causa.

Equipa técnica da pintpor  Maio 2015